vou contar um segredo

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Vou Contar Um Segredo

Como Ser Saudável Num Mundo Insalubre

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Como Ser Saudável Num Mundo Insalubre

O Arsénio e a Contaminação do Arroz

  Arrisco dizer que o arroz é o cereal mais utilizado no nosso país mas ao contrário de muitos outros lugares, aqui pouca gente ouviu falar na problemática contaminação do arroz por arsénio. O mais curioso é que quando comento sobre este assunto com alguém, parece que as pessoas não acreditam ou que simplesmente não querem saber pois não conseguem imaginar uma vida alimentar sem arroz. Mesmo assim, resolvi escrever sobre este tema porque sei que há ouvidos que querem ouvir e há olhos que querem ler. 

Descoberto na Idade Média, o Arsénio é um semimetal pesado cujos compostos são extremamente tóxicos, podendo em concentrações elevadas, causar distúrbios neurológicos e vários tipos de cancro, nomeadamente de pele, bexiga e pulmão assim como aumentar o risco de doença cardíaca e de diabetes tipo 2.
Uma dose de 140 miligramas de arsénio inorgânico é o suficiente para causar a morte de um ser humano adulto por dano à respiração celular, em poucas horas ou dias.

Naturalmente presente nas águas, principalmente nas subterrâneas, e no solo, a poluição por arsénio tornou-se um problema sanitário a nível mundial que afeta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

É a base de venenos, sendo utilizado como inseticida, raticida, aditivo do chumbo nos grãos para armas de caça, para conservar peles, como descolorante no fabrico de vidro, etc.

A Organização Mundial de Saúde estabelece um limite máximo de 0,010 mg/L de arsénio em água para consumo humano.

 

 

 O Arsénio no Arroz

 

 Ao contrário dos outros cereais, o arroz é cultivado em condições inundadas pela água, portanto a presença de arsénio no solo é muito mais facilmente transmitido, permitindo que este seja absorvido pelas raízes e armazenado nos seus grãos (e o arroz biológico não é exceção). 

Apesar do arroz integral ter um maior valor nutricional, está mais contaminado pelo arsénio do que o arroz branco. Segundo o Consumer Reports, o processo de refinamento do arroz para produzir o arroz branco remove as camadas superficiais, reduzindo o arsénio total e o arsénio inorgânico no grão. No arroz integral, apenas a casca é removida permanecendo o farelo (fina película onde se concentram os nutrientes e que fica entre a casca e o grão do arroz). As concentrações de arsénio encontrados no farelo,

que é removido durante o processo de moagem para produzir o arroz branco, podem ser 10 a 20 vezes superiores aos níveis encontrados em grãos de arroz branco.  

O FDA (Food And Drug Administration) estuda há mais de 20 anos os efeitos nocivos do arsénio nos alimentos, nomeadamente no arroz e alerta para:

 

- Todos os consumidores incluíndo grávidas, crianças e bebés serem encorajados a ingerir uma dieta variada para minimizar os efeitos negativos que poderão surgir de se comer uma quantidade excessiva do mesmo alimento.

 

- Variar os cereais pois como o arroz há outros igualmente nutritivos.

 

- Considerar alternativas para as primeiras comidas sólidas dos bebés. Muitos bebés são alimentados com papas de arroz como primeira comida mas não existe nenhuma evidência médica que diga que o arroz tem alguma vantagem sobre os restantes cereais. Oferecer-lhes cereais como millet, amaranto, quinoa e aveia é uma opção mais saudável. A marca alemã Holle tem várias opções de papas biológicas sem arroz (e sem açucar!).

 

E para quem não prescinde de um prato de arroz é aconselhado:

1 - Cozer o arroz como se coze a massa: numa grande quantidade de água, no mínimo numa proporção de 6 para 1 chávena de arroz e no final coar a água. Desta maneira consegue-se reduzir em cerca de 30% os níveis de arsénio.

2 - Evitar o arroz integral e dar preferência ao arroz basmati branco. Num estudo nacional, verificou-se que o arroz basmati indiano reporta valores 5 vezes menores que os encontrados no arroz norte-americano; o arroz carolino português contém valores de arsénio entre os mais altos a nível nacional.

3 - Fazer um cálculo da quantidade semanal que se come de arroz para controlar os níveis de arsénio ingeridos. O Consumer Reports criou um sistema de pontos que nos facilita a vida (como os cálculos foram baseados no peso, as crianças recebem mais pontos pelo mesmo alimento).
O limite é de 7 pontos por semana! Quem aceita o desafio?

 

 

 

 

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